O mistério dos dias cinzentos

Há nos dias cinzentos algo singular que cresce a medida que sua cor varia para matizes mais escuras. É bem verdade que algumas fontes cita...



Há nos dias cinzentos algo singular que cresce a medida que sua cor varia para matizes mais escuras. É bem verdade que algumas fontes citam o aumento da pressão atmosférica e iônica como os responsáveis pela variação de humor, e embora ainda não exista um estudo aprofundado sobre o tema, cabe a desconfiança de que talvez tais suposições tenham um fundo de verdade.

Outra afirmação comum, cujo autor desconhecemos, mas seus ecos ouvimos até os dias atuais, dá conta de que todo o poeta tem a alma triste, carente de alguma coisa que é compensada pelo ato da criação literária. Não entrarei nesse mérito aqui, pois grande parte dos famosos poetas já se foram e não podem dar testemunho do estado de ânimo que os motivou a escrever. Porém basta observar o que alguns sonetos, versos e estrofes nos dizem para que compreendamos que há nisso também uma certa razão.

Interessante porém é observar que entre os dias cinzentos e a poesia de muitos há tremenda semelhança, seja por que versam sobre coisas sombrias, seja por que foram escritas em dias escuros, quando a opressão das nuvens lá de cima os fez dar vazão as questões que raramente viam a luz (uma espécie de solidariedade com o que normalmente é reprimido). Quem sabe?

Como eu disse, eles não estão mais aqui para confirmar ou desmentir minhas suposições.  E como não posso falar pelos outros, posso ao menos falar por mim, que sob o céu cinza chumbo escrevo linhas e mais linhas de um tratado infinito sobre o mistério dos dias cinzentos e outras coisas que na maior parte do tempo, permanecem ocultas sob grossas camadas de uma, às vezes necessária, opressão.


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