O "diabo" nas coisas incomuns.

A cena ainda é tão viva. Eu brincando com minhas coisas, minha vó ocupada com as delas e um galo cantando lá fora. Não era madrugada, pelo...



A cena ainda é tão viva. Eu brincando com minhas coisas, minha vó ocupada com as delas e um galo cantando lá fora. Não era madrugada, pelo contrário, muitas vezes era sob o Sol do meio dia.
Minha vó não perdia tempo e exclamava "Isso é coisa do coisa ruim!" Bem assim, redundante e eufemístico mesmo.
O coisa ruim, já se sabe era o diabo; o inverso, o contrário, o antagônico.
O interessante porém, é a coisa tomada emprestada pelo coisa ruim. Podia ser o cacarejar fora de hora, um perfume trazido pelo vento, um ruído cuja origem se desconhece, ou qualquer outra coisa que fuja a normalidade dos acontecimentos comuns.
Podia parecer besteira, coisa pouca científica e pra lá de supersticiosa, mas sabemos haver no conhecimento antigo o seu quinhão de sabedoria oculta. E no tocante as coisas incomuns, o diabo está sempre à espreita. Não o diabo de rabo e chifres, ou nenhum de suas variantes, mas o diabo filosófico, a contraparte da dualidade, a força de oposição.
Ah! Como encontro verdades ocultas no conhecimento comum! Pois há sim uma contraforça em tudo que foge ao comum, uma outra parte que mantem o equilíbrio pela sua simples tendência a gerar o caos.

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