Espaço/tempo, hiatos e blogs
15:04
Nesse domingo de verão atipicamente chuvoso e cinzento me peguei com saudades de 2013. Não em sua totalidade, mas de duas coisas diferentes e bem marcantes daquele ano; de estar descobrindo um mundo completamente novo e dos inúmeros blogs (dos que eu tinha e dos que eu acompanhava também). Se bem que talvez elas não sejam tão diferentes assim...
Confesso que as vezes me sinto ultrapassada pela velocidade com a qual as coisas mudaram na internet. Da blogosfera superpovoada ao Youtube se passaram o que? Nem dez anos? E no entanto onde foi que eu estava? Como foi que eu não vi isso tudo acontecer? Na real eu acho que vi sim, só não prestei atenção. Eu mesma fui ficando corrida, graduação, pós graduação, mudança, trabalho, novos círculos sociais, não necessariamente nesse ordem... Fui deixando os blogs de lado, dando um tempo...
A questão é que diferente dos livros que seguem aqui na estante, os blogs foram saindo do ar, migrando para as redes sociais, se transformaram em vlogs, canais... Fiquei pra trás. Não que eu não tenha meus canais favoritos, os youtubers que acompanho. Mas sinto falta de ler pessoas aleatórias, estranhas, que contam suas vidas com uma dose de poesia, uma foto bonitinha de alguma paisagem ou objeto pessoal, algumas tags e eventualmente um hiato de alguns meses. Havia espaço, havia tempo.
As vezes me sinto mais que ultrapassada, me sinto atropelada. Num dia fechei os olhos e deixei muitos blogs lá, quando os abri novamente eles haviam desaparecido. Bom pra quem não tem problemas em aparecer, em vídeo, em movimento. Eu sempre preferi a imagem estática, o recorte de um momento entre espaço e tempo. Até pensei em nadar a favor da maré, mas entre arrumar o cabelo, apertar o play, editar e finalmente postar tem o espaço de uma vida e eu acabei ficando com preguiça. Quando você me lê agora, não é capaz de ouvir o som do meu vizinho que até hoje não superou a traição de sua mulher. Não é capaz de ver que estou em um quarto escuro, com a toalha na cabeça e cara de ontem. Não é capaz de ver que de vez em quando faço uma ou outra expressão enquanto penso, expressões que nem sempre condizem com o que escrevo. Nada disso importa, nada além do texto.
Ah sim, meu superego tem alguma culpa nisso, é verdade. Digo com a satisfação de quem inverte os papéis e se põe a culpar o grande distribuidor de culpas. Mas é que o resultado escrito está mais digno das exigências do ideal de mim mesma, coisa que dificilmente o que eu falo é capaz. Por que falar é falhar, não é mesmo? E não há ato falho que sobreviva ao poder do delete.
Enfim, sinto falta dos blogs, da parede invisível que me separa do grande outro da internet. Da parede feita de espaço e tempo que se ergue entre o momento de escrever e o tempo de concluir e publicar.





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