Comecei com a chuva e terminei com os escritores de blog.
14:45Quando chove eu penso. Não que eu não pense nos outros dias, quando o Sol aquece a pele e a alma. Mas é quando o céu fica cinzento que eu g...
Quando chove eu penso. Não que eu não pense nos outros dias, quando o Sol aquece a pele e a alma. Mas é quando o céu fica cinzento que eu gosto mais de pensar. É um prazer todo meu, esse nublar interior. Nesses dias eu procuro algo pra ler, pra pensar. Reviro e reviso a blogosfera abandonada pra ver se encontro alguma alma perdida igual a mim.
Faz tempo que não encontro um blog legal, o último na verdade me encontrou por acaso. Ou por algoritmos, quem sabe. O dono resolveu me seguir no Instagram. Eu não conhecia, quase não aceitei a solicitação, mas aí vi que era escritor e pensei, "que mal pode haver, afinal?".
As vezes sou afetada pela ingenuidade. Ela tem seu lado bom, faz o mundo ser sempre novidade (e tem o lado ruim, mas hoje não falarei disso). E ingenuidade aqui é acreditar que um escritor é inofensivo. Não é mesmo. Procurei algum tipo de escritor que pudesse ser, mas não encontrei nenhum. De cartas a artigos de jornal, ninguém é inofensivo nesse ramo e certamente é muito pior se a escrita for em algum blog. Aqui, na blogosfera abandonada, só se encontram as almas condenadas. Põe um pouco de si aqui, uma dúvida acolá... Expõe um pensamento, faz um floreio linguístico e quando você se dá conta já é tarde demais. Foi contaminado.
Fuja de mim. Fuja dos escritores de blog. Ou flerte com o perigo e, assim como eu, de vez em quando venha aqui me ler.




