Ah, a pré-adolescência!!
19:57
O início da adolescência é uma fase interessante onde um mundo de novas sensações se apresentam, fazendo com que dificilmente você passe incólume por ela. Das lembranças dessa época, as que mais gosto são as que se referem as paixonites repentinas que assolavam minha alma e devastavam meu coração (Sim, isso mesmo, com todo o drama que é possível colocar aqui).
Se pensar em garotos aos quatorze, quinze anos já era uma coisa proibida, tente imaginar isso aos onze ou doze (naquela época). Era um saboroso pecado, um ultraje a todos os conselhos que desde os primeiros sinais da puberdade toda menina começa a ouvir compulsoriamente. Mas conselhos estão aí para isso, para serem dados de mão beijada, se serão aceitos ou na melhor das hipóteses ouvidos, são outros quinhentos. Graças a Deus, do contrário que graça a pré adolescência teria?
Dentre todas as paixonites que assolaram o meu espírito a melhor e mais memorável foi o amor platônico que alimentei por um menino da mesma turma que eu. Até aí tudo bem, nada que você e meio mundo de pessoas nunca tenha vivido, mas a cereja do bolo, no entanto, é um detalhe curioso, para não dizer no mínimo tosco. Eu não era a única, minha melhor amiga sofria dos mesmos sintomas e estava caindo de amores pelo mesmo guri.
O espírito feminino, competitivo por natureza, poderia nos ter induzido a uma lastimável querela. cujo resultado da contenda seria, talvez, o fim da amizade. Mas não é que as coisas tomaram um rumo diferente? Em vez de abrir uma sigilosa, porem ferrenha, disputa sobre o caso resolvemos unir nossas forças em uma aliança sem precedentes na história da humanidade e, cheias de boa vontade uma com a outra, resolvemos que cada uma se ocuparia de abraçar a causa da outra e ajudá-la no intento.
Obviamente que todos os planos traçados e repassados cuidadosamente na escada de lá de casa, não saíram do mundo das ideias e o amor platônico se arrastou por mais um ou dois anos letivos, até que finalmente a mudança de escola e a ampliação dos horizontes masculinos, nos arrefeceu o espírito dissuadindo-nos do ardil.
Acho que no fundo a questão nunca foi sobre namorar ou não aquele menino, era mais sobre sonhar e suspirar à sombra da gameleira do jardim lateral da escola, ou elaborar metas e planos que se dispersavam ao sabor da brisa vespertina. O espírito, jovem e ainda carregado de sua áurea pueril, nos permitia compartilhar desejos sem que os interesses de uma sobrepujasse os sentimentos da outra. Enfim, bons tempos.





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