O primeiro texto de 2022
15:11No dia 31/12/21 escrevi uma carta através de um site. O destinatário era eu mesma, 5 anos no futuro. Descobri que não tinha muito o que dizer, só perguntas e mais perguntas. O que o meu eu, 5 anos mais nova e estúpida, vivendo em uma realidade bem complicado como essa de agora poderia dizer de reconfortante pra o meu eu do futuro? So perguntas e desejos sinceros de que tudo esteja melhor pra ela do que esta pra mim agora.
Também senti um certo medo. Vai que meu futuro ta pior que o presente e ao ler essa carta eu me sinta ainda mais miserável?
Não sei, não ha garantias de nada. Nem mesmo a carta eu posso ter certeza de que vou receber. Vai que nao to mais aqui, vai que o site encerra as operações, vai que um ataque alienígena destrói a rede mundial de computadores...
Eu poderia dizer que foi depois da pandemia que minhas certezas se esvaíram. Que a tranquilidade da vida pode ser perturbada a qualquer momento por qualquer coisa microscópica que surge em algum lugar do planeta. Mas a realidade é que o agente etiológico da incerteza não é um vírus, mas a minha terapia.
Pra ser bem honesta não vi muita vantagem até aqui. Anos e anos de terapia pra no final das contas (embora nem seja bem o final ainda), eu so perder as certezas que tinha.
O lado bom, se é que existe um, é que já que não me sobraram muitas certezas, também se foram as ruins. E no final das contas sigo indo, cansada de tudo, mas persistindo.





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