A boa filha a casa torna

  Um ano de quarentena que mais parece uma vida inteira. Três anos desde a última vez que estive aqui. Nesse período eu já tentei de tudo; m...

 


Um ano de quarentena que mais parece uma vida inteira. Três anos desde a última vez que estive aqui. Nesse período eu já tentei de tudo; manter a fotografia como minha principal forma de expressão artística, retomar a escrita em outra língua, criar um perfil no Medium, começar um podcast. Nenhuma delas deu muito certo pra mim. A escrita é parte do que gosto de ser, por isso retorno a esse lugar que sempre me pertenceu e retomo esse blog que há muito tinha abandonado.

Pensei em manter um estilo, uma escrita inalterada que fosse sempre igual, mas descobri que isso comigo também não funciona, não sou um produto pra me manter fiel ao consumidor, eu sou uma pessoa, incoerente, contraditória e inconstante. Logo, minha escrita também há de ser assim.

Haverão dias nublados de puro romantismo e neles minha escrita será linda, de acordo com os padrões estabelecidos por mim mesma. Mas também haverão dias pragmáticos, em que eu implico em falar sobre alguma coisa aleatória ou acabo explicando algo só para revisar em minha memória o que sei. É um exercício que gosto, por que no final das contas tudo gira em torno da memória. Não é atoa que sonhei com isso essa noite. Com a memória de alguém que gosto se esvaindo. A pior coisa que posso imaginar, afinal, de cada um de nós, é apenas isso que sobra; memórias.

Hoje está nublado e hoje retomo a escrita. Não é coincidência. O céu nublou-se por conta própria, eu que quis ir com ele. Ele se precipita em chuva, eu em letras.

E que assim seja.  

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