A boa filha a casa torna
08:31
Um ano de quarentena que mais
parece uma vida inteira. Três anos desde a última vez que estive aqui. Nesse
período eu já tentei de tudo; manter a fotografia como minha principal forma de
expressão artística, retomar a escrita em outra língua, criar um perfil no Medium, começar um podcast. Nenhuma
delas deu muito certo pra mim. A escrita é parte do que gosto de ser, por isso retorno a
esse lugar que sempre me pertenceu e retomo esse blog que há muito tinha
abandonado.
Pensei em manter um estilo, uma
escrita inalterada que fosse sempre igual, mas descobri que isso comigo também
não funciona, não sou um produto pra me manter fiel ao consumidor, eu sou uma
pessoa, incoerente, contraditória e inconstante. Logo, minha escrita também há
de ser assim.
Haverão dias nublados de puro
romantismo e neles minha escrita será linda, de acordo com os padrões estabelecidos
por mim mesma. Mas também haverão dias pragmáticos, em que eu implico em falar
sobre alguma coisa aleatória ou acabo explicando algo só para revisar em minha
memória o que sei. É um exercício que gosto, por que no final das contas tudo gira
em torno da memória. Não é atoa que sonhei com isso essa noite. Com a memória
de alguém que gosto se esvaindo. A pior coisa que posso imaginar, afinal, de
cada um de nós, é apenas isso que sobra; memórias.
Hoje está nublado e hoje retomo a
escrita. Não é coincidência. O céu nublou-se por conta própria, eu que quis ir
com ele. Ele se precipita em chuva, eu em letras.
E que assim seja.






2 comentários
Ótimo que retomou! <3
ResponderExcluir❤️
Excluir