Muitas coisas morrem antes que a gente morra de verdade.

  Dia desses li o texto de um cara schopenhauriano. Cara legal, texto denso de alguém que filosofa até enquanto compra um chuveiro. Má influ...

 



Dia desses li o texto de um cara schopenhauriano. Cara legal, texto denso de alguém que filosofa até enquanto compra um chuveiro. Má influencia.

Ele falou sobre uma tal “desertificação do bioma psíquico” e isso me fisgou.

Logo eu, peixinho metade Linnaeus, metade Lacan. Como não ser fisgada por essa metáfora?

De cá do meu aquário que antes da pandemia era oceano, o isolamento social também é tempo de reflexão. Coisas se transformam enquanto estabeleço rotinas, algumas naturalmente como jantar todos os dias por volta das 19h. Outras autoimpostas, com a intenção de manter a ilusão de controle.

entre cada uma delas faço reflexões.

Dia desses encasquetei com o sentimento de pertencimento a uma nação. Não quero mais ser brasileira, impliquei. Não me sinto representada pelo fascismo insidioso que desde a segunda guerra mundial ficou claro que existe e se insinua no discurso político que muitos dos meus compatriotas tanto valorizam.

O Bolsonarismo não é uma novidade, concluí. É só a sintese de um fascismo que ja tava aí, sufocado pela ajuda financeira americana que faz o Brasil ficar do lado certo da história durante a segunda guerra. Não fosse isso teriam seguido a Alemanha Nazista.

Mas o que diabos tem a ver a metáfora do deserto com história e política?

Muito e nada. Coisas do mal entendido.

Quando a vegetação de um local morre tem início o processo de desertificação. Um deserto, apesar de não necessariamente ser desprovido de vida, não deixa de ser a morte de algo que antes estava ali.

Essa quarentena é um processo de desertificação, morreu a minha identificação com a nação.

La se vai mais uma…

Algumas coisas morrem pra dar lugar a outras, tal qual no deserto. E muitas coisas morrem antes que a gente morra de verdade.

Até la eu sigo. De metafora em metáfora, deslizando como nesse texto, de uma coisa para a outra.

Obs. O texto da rapaz Schopenhauriano esta disponível nesse link aqui.

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