Muitas coisas morrem antes que a gente morra de verdade.
14:32
Dia desses li o texto de um cara schopenhauriano. Cara legal, texto denso de alguém que filosofa até enquanto compra um chuveiro. Má influencia.
Ele falou sobre uma tal “desertificação do bioma psíquico” e isso me fisgou.
Logo eu, peixinho metade Linnaeus, metade Lacan. Como não ser fisgada por essa metáfora?
De cá do meu aquário que antes da pandemia era oceano, o isolamento social também é tempo de reflexão. Coisas se transformam enquanto estabeleço rotinas, algumas naturalmente como jantar todos os dias por volta das 19h. Outras autoimpostas, com a intenção de manter a ilusão de controle.
E entre cada uma delas faço reflexões.
Dia desses encasquetei com o sentimento de pertencimento a uma nação. Não quero mais ser brasileira, impliquei. Não me sinto representada pelo fascismo insidioso que desde a segunda guerra mundial ficou claro que existe e se insinua no discurso político que muitos dos meus compatriotas tanto valorizam.
O Bolsonarismo não é uma novidade, concluí. É só a sintese de um fascismo que ja tava aí, sufocado pela ajuda financeira americana que faz o Brasil ficar do lado certo da história durante a segunda guerra. Não fosse isso teriam seguido a Alemanha Nazista.
Mas o que diabos tem a ver a metáfora do deserto com história e política?
Muito e nada. Coisas do mal entendido.
Quando a vegetação de um local morre tem início o processo de desertificação. Um deserto, apesar de não necessariamente ser desprovido de vida, não deixa de ser a morte de algo que antes estava ali.
Essa quarentena é um processo de desertificação, morreu a minha identificação com a nação.
La se vai mais uma…
Algumas coisas morrem pra dar lugar a outras, tal qual no deserto. E muitas coisas morrem antes que a gente morra de verdade.
Até la eu sigo. De metafora em metáfora, deslizando como nesse texto, de uma coisa para a outra.
Obs. O texto da rapaz Schopenhauriano esta disponível nesse link aqui.






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