Nuvens e cortinas
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Amo as nuvens! Amo-as porque são como um véu de mistério ocultando o céu e o Sol. Esse véu que oculta também nossa visão.
No fundo, desde pequena, sempre senti que o que compreendemos da vida é parcial, como quem olha através da cortina da janela, que mesmo sendo quase transparente ainda assim acaba atrapalhando um pouco a compreensão das coisas.
Quando eu era criança adorava as cortinas de tecido translucido, adorava-as porque eram cortinas e porque eram translucidas. Olhar através delas era ver o mundo de forma diferente, com uma aura colorida ou uma opacidade leitosa.
Da mesma forma é a compreensão da vida, sempre com algum efeito, nunca perfeitamente clara.
O que é a morte? O que é a vida? De onde você vem? Para onde vai? Perguntas cujas respostas saberíamos se não estivéssemos olhando através de cortinas. Quem sabe...
As nuvens refletem muito bem isso, um Sol que é uma verdade, oculto totalmente ou parcialmente por uma cortina de fumaça.
Eu gostaria de poder ver a verdade com a mesma facilidade que eu poderia ver a rua lá fora, afastando a cortina dos meus olhos com um simples movimento das mãos.
Às vezes queria fazer o mesmo com as nuvens, mas não me é possível nem uma coisa nem outra. Então resta-me a cortina do quarto, que quase sempre deixo fechada.





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