(I)mutável

Se eu for chorar por todos os projetos que abandonei... meus olhos se tornarão nascente e eu alagarei o mundo. Sei lá, coisa de pisciana, d...

Se eu for chorar por todos os projetos que abandonei... meus olhos se tornarão nascente e eu alagarei o mundo.
Sei lá, coisa de pisciana, de quem não se entendeu com Freud, de hormônios que variam, de quem não sabe o que quer. Mas é que quero tantas coisas...
Pensando bem... Será que quero mesmo?
Não sei como as pessoas conseguem ser tão constantes. Eu não, acordo pedra, durmo ventania e entre uma coisa me torno furta-cor, pq não posso ser uma cor só, então sou todas.
Não tão inconstante a ponto de inviabilizar relações, mas não consigo ser amanhã o que fui hoje.
Na vitrine da lojinha o urso desbotado dá mostras do que é viver sem mudanças. Está todos os dias ali, com o sorriso amarelo e o pelo sintético a sofrer com o Sol. Ninguém o tira de lá, lá ele fica o dia inteiro, lá ele está até que alguém o venha comprar. Mas ninguém quer comprar um urso desbotado, então ele continua lá. Imutável.
Ninguém gosta de gente imutável, não se tem assunto com essas pessoas, não se tem nada a tratar. Gente que larga projetos, faz novas escolhas, varia e muda, esses sim dá o que falar. São os que vivem a vida com força e fazem de tudo para na hora derradeira não ter do que se queixar.
Deixe-me assim, inconstante. E que as reticências sejam a logomarca da minha alma.

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