Hoje me estranhei com as panelas

    Sim, enquanto fervia o leite eu pensava no que são panelas. Um objeto metálico que serve pra colocar coisas e levar ao fogo. A coisa não...

 



 Sim, enquanto fervia o leite eu pensava no que são panelas. Um objeto metálico que serve pra colocar coisas e levar ao fogo. A coisa não queima rapidamente por que não está em contato direto com o fogo e o objeto ajuda a distribuir o calor. Pensava essas coisas e enquanto isso o leite fervia. Acordar cedo é uma experiência de estranhamento. Abre-se os olhos pra um mundo ainda verde, não maduro. Eu queria ter dormido mais e acordar sabendo pra que serve uma panela, ter as coisas como se elas fossem assim desde sempre. Que bom que dormi pouco, do contrário não veria a panela com outros olhos e não estaria escrevendo isso aqui. Por que cada texto que escrevo é como espremer uma espinha na testa. Alias, perdoe-me a analogia, mas ainda é cedo e meu senso estético não acordou comigo esta manhã.

    À noite a realidade será diferente e tudo estará cheio de opressivas certezas. As estradas são para os carros que correm sempre apressados lá fora, o Sol se põe no Oeste e o travesseiro foi feito para dormir... mas o ápice da certeza se desmancha em considerações sonolentas de um milhão de sóis, e o travesseiro se torna lugar de pensar sobre uma realidade que vai ficando cada vez mais estranha, por que o Sol, afinal, por mais louco que seja, é uma estrela que está tão perto que queima, e na escuridão do meu quarto encerro, pra recomeçar amanhã novamente, a minha vigília de panelas que pouco a pouco se tornam instrumentos usuais sobre os quais nada há para se considerar.

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